16/01/2008

2ª Diária: Versão do Produtor - Turbulência!

Texto originalmente publicado em 20/11/2007, no blog www.sem666palavras.blogspot.com

Agora entendo um pouquinho do que Jack Bauer passa quando algum roteirista amalucado resolve que seria engraçado colocar um agente da CTU no seu pior dia. Não me entendam mal. Não foi um dia ruim. Mas foi um dia de provações, insólito, cansativo, enfim, um dia muito, muito difícil. Malditos roteiristas.

Segue a Segunda Diária de filmagens do curta Os Batedores, neste domingo passado...

Começamos pelo trivial: Filipe Ferreira, Soriano e eu indo de manhã até Canoas para buscar nada menos que algumas genitálias decepadas na casa do Ghiorzi. Como um passeio no parque, o nosso mestre do FX virava pra trás e dizia “Filha, fica aí que agora o papai tá trabalhando” enquanto nos mostrava os pênis que havia tecido em latex.

- Peguei o modelo num site pornô.

Infelizmente, o Ghiorzi tinha compromisso de tarde e não pôde nos acompanhar nas filmagens de logo mais.

Primeira baixa.

Chegando na Lumiere, constatamos que o Padilha, eletricista e pau-pra-toda-obra, iria nos acompanhar na empreitada do dia: a cena em que nosso herói Raul (Marco Soriano Jr.) vai pedir dinheiro emprestado ao Marcião (João França). A equipe técnica voltaria a ter Márcio e König, que guardavam os equipamentos na Kombi. Fernandinho, assistente de câmera que estava confirmado, ligou para o Ferreira desmarcando, pois tinha que socorrer o pai que havia pifado o carro na rodovia.

Segunda baixa.

Enquanto embarcávamos na kombi e seguíamos para a locação, meu celular parecia ter Síndrome de Tourette. Tocava. Tocava. Tocava sem parar.

“Que horas na estética?” Dizia a Gabi.
“Já estamos aqui na locação.” Dizia a Bruna.
“Tem que buscar a mesa.” Dizia a Cris.
“Vão sem mim.Vou de bus.” Dizia o Jé.
“Que horas vai ser a cena com os figurantes?” Dizia o Jack.
“Que horas vocês passam aqui?” Dizia a Juliana.
“Nós vamos parar pra comer alguma coisa?” Dizia o König, mas este não era por celular.

Neste meio tempo, eu ligava e ligava e ligava para sanar o meu pior problema naquele momento: o desaparecimento do instrutor de academia que faria uma ponta como o segurança do Marcião para nós. Nada do indivíduo. Celular desligado.

A kombi chega no Beco...

Sim, o tão comentado Cabaret do Beco seria o lar do Marcião. Carlos, um dos donos do lugar, nos cedeu gentilmente seu domingo de descanso e o ponto para que executássemos esta cena com o clima opressivo que precisávamos. De uma hospitalidade bacana demais, o anfitrião nos mostrava os locais onde poderíamos fazer platôs, colocar luzes e modificar (ou não) para montar a jogada. O restante da equipe começou a chegar e logo a Cíntia já estava no comando provisório. O Ferreira corria para pegar o França e levá-lo na estética, a Bruna seguia na missão ingrata de tentar achar o segurança na casa dele e trazê-lo a força (se alguém poderia fazer isso, esse alguém é ela), e eu corria com o Cristian e o Padilha para pegar os objetos e móveis de cena. Pouco antes de a Bruna ir à cata do grandalhão, o Marco veio correndo e pediu encarecidamente para sair junto. Com olhos cheios de água e engolindo em seco, o matador de 5-15 estava, como diria o Capitão Nascimento, com medinho de ficar dentro do set, pois o lugar, segundo ele, era muito pesado. Sim, ele é um bixcoito.

Problemas de sexualidade à parte. Durante a busca pelos objetos, angariamos Cris e Cainã (não, não é uma dupla sertaneja) e os Irmãos Zandoná (também não é dupla sertaneja, mas passam perto). No trajeto, Padilha me confidenciou que só poderia ficar conosco até às 16h, pois teria de ir buscar a filha depois.

Terceira baixa.

Após desovar esse pessoal no set, constato que a Bruna não conseguiu encontrar o maldito segurança em casa.

Quarta baixa.

- Édnei, posso chamar outro cara pra fazer o segurança. Dizia o Cristian.

- Quem?

- Ele é grande, mas tem um problema.

- Que problema?

- Ele é meigo.

- Hã?

Tratava-se do Carlos Thomaz. Cinéfilo do gore e amigo de longa data do Cristian. Sim, o cara era grande e tinha um talento dramático diferenciado (como ele mesmo gosta de enumerar), mas servia, afinal, um cara do tamanho que esta cena exigia não seria fácil de encontrar.

Depois de Bruna, Duca e Pomba (ou seria o Cristian?) arrastarem o Thomaz para o meio do vendaval, Bruna e eu seguimos para a estética, onde o João França estava sendo parafernalhado para a cena. Aqui saliento a disposição e talento das meninas da Flach, Ivete e Verinha, que conseguiram deixar o França bonito para o papel de Marcião, o emblemático agiota que vai dar dor de cabeça ao Raul. Momento kodak: durante uma fita de Making Of, gravado pela Gabi, o França me abraça e diz “O criador e a criatura”, com aquela espirituosodade toda inerente a ele.

Tudo pronto e um irreconhecível França depois, fomos para o set, que já estava praticamente montado. Chego lá e descubro que um acidente de percurso adulterou a decoração do local e os ânimos da galera. E lá vai o Édnei falar com o Carlos para solucionar o problema. Ouço alguém no canto dizer algo parecido com “o cara é o Super-Homem”. Não sei se era pra mim, mas com certeza falar com o dono da locação e garantir a integridade da mesma era mais um leão que eu tive de matar. Com aquele atraso típico de quase uma hora no cronograma, começamos os últimos ensaios. Atores já figurinados e maquiados. Julia batendo fotos afu. Luzes prontas. Cenografia pronta. Numa sala escura com ursos de pelúcia pendurados no teto, Filipe fazia sua última reunião com o Marcelo e a Cíntia, antes do batente.

Luz, câmera, AÇÃO!

Ligeiro (Jéferson Rachewsky) encarava o segurança (Carlos Thomaz) de Marcião enquanto Raul tentava extorquir algum do agiota. De novo. De novo. De novo. Agora outro plano. As tábuas rangiam. O calor era descontado nos copos de água (cedidos para o curta pela Águas Mineral Sarandi). Minha cabeça explodia enquanto eu tentava tirar uma soneca escorado na parede, num dos poucos momentos em que tive descanso neste dia. Acordei. Voltamos ao problema da alimentação. Logo chegamos à conclusão de que o lance era pizza novamente. Desta vez tive de negociar com uma pizzaria para me darem uma pizza a mais pelas cinco pizzas gigantes que estávamos comprando. Consegui uma pizza doce só jogando charme em cima da Karine, a moça da tele. Ela devia estar numa maré ruim.

Numa daquelas casualidades decorrentes de cronogramas atrasados, nossos figurantes começaram a chegar para a cena de Flashback junto com as pizzas. Como dizer pra essa turma, que veio participar na parceria e no amor, pra esperarem um pouquinho que a equipe tinha que comer um rango que já estava contado? Situação chata, claro. E lá vai o Édnei conversar com eles. Entenderam tudo de boa, alguns foram dar uma banda, outros ficaram e conversaram com o Jack, que estava fazendo a sala, outros ainda compraram cervejas...enfim, deu tudo certo. Faltava apenas o Devedor chegar.

Hã? Como assim? Isso mesmo. Graças a outro contratempo, Paulo Carvalho, colaborador-mor da Arquivo Morto que faria o papel de Devedor, só poderia chegar um pouco mais tarde. E lá vai mais algum atraso no cronograma. Quando essa figura chegou, foi aquela correria. Figurino, lustre na careca, e vamos nós de novo filmar. Desta vez, era a cena do Flashback, que mostrava o que acontece quando alguém deve pro Marcião e não paga. Lá atrás, os figurantes dançavam empolgados enquanto o Álvaro mexia um canhão de luz. Com um travelling, uma incorporação completa do França, e alguma paciência, conseguimos capturar a aura ameaçadora e mortal do agiota, que olhava com ódio enquanto o Devedor mostrava a foto da família para tentar explicar que estava com problemas financeiros. Novamente tivemos outro contratempo, enumerando mais uma baixa (perdi as contas de quantas pessoas foram se desligando da equipe neste dia). Embora já tivéssemos a cena, esse contratempo em especial me deixou no chão.

Eram 11 e picos da noite quando, finalmente, encerramos os trabalhos. Liberamos as pessoas de volta à suas vidas e fomos até a Lumiere descarregar as coisas. Nossos pontos altos foram as caras de satisfação do pessoal do back vendo o resultado dos nossos esforços no pequeno monitor: o Jé olhava pra mim e dizia “Do caralho!”. O Cristian olhava pra mim e dizia “Do caralho!”. As meninas da Flack sorriam orgulhosas com o bom trabalho. Era visível a satisfação geral. Alguma palhinha do treco vocês podem conferir na foto.

Este domingo de filmagem foi o meu domingo mais turbulento de set. Eu só queria que o dia acabasse. Deitei por volta das 01:30 da manhã e estava tremendo. Não consegui dormir. Foi um suplício pra levantar da cama na manhã de segunda-feira. Embora todo mundo tenha se esforçado e dado o máximo para fazer da filmagem de domingo um sucesso, espero, sinceramente, que os outros colegas de equipe tenham curtido mais do que eu... ou se estressado menos.

São as peculiaridades de se fazer cinema de guerrilha. O que importa é que “temos”.

Sábado que vem tem mais.

1ª Diária: Versão do Diretor - Diária 1

Texto originalmente publicado em 12/11/2007, no blog www.sobrevivendoaojogo.blogspot.com

este domingo, dia 11, foi um dia infernal e mágico. primeiras captações do curta “os batedores”... as adversidades foram “humanas”, as benesses, “naturais”. o tempo se firmou de maneira mágica ao longo do domingo, proporcionando uma luz agradável (até mesmo para os que com ela se queimaram) e fotografia boa para um dia inteiro. as adversidades ficaram por conta da fatídica parada gay que movimentou a redenção e cujos carros alegóricos poluíram nossa captação de áudio. isso desde cedo. de tarde a feira do livro atrapalhou um pouco, devido ao excessivo número de carros e transeuntes na avenida mauá. nada que já não estivesse previsto e ao mesmo tempo, não. a parada estava marcada para começar as 16 horas. a martelante música eletrônica começou a rufar pouco antes das 11 da manhã. Depois de perder os cabelos, ficamos com os truques alternativos. pânico. não sei dos outros, mas da minha parte e da do König... pânico é a melhor palavra. outro fator humano que atrapalhou foi a demora da liberação do primeiro platô. mas é melhor parar de falar nos problemas e ir logo para as soluções.

cena 1. redenção. de cara a Pomba descobre que precisamos autorização para gravar lá e não a temos. porquinhos novatos! como ninguém havia pensado nisso, decidimos encarar o desafio. o desafio era uma espécie de suborno. comprar um capacete para o guarda noturno. 200 contos... mas vamos lá. soriano e benevenga em cena. Primeiro há de se falar no figurino. o Duca, figurinista, e a Juliana, produtora de figurinos, fizeram um trabalho primordioso. Um trabalho tão completo que a primeira vez que vi o Soriano figurinado, um dia antes desta diária, não gostei. mas uma vez em quadro, as roupas lhe cairam como uma luva. eles tiveram um olho clinico do qual eu me furtei. o Soriano comentou que toda vez que virava pro lado e dizia “cadê o sapat...” a Juliana já estava lhe estendendo o item necessário. a Lisi deixou o Benevenga impecável como o James Cagney. rosto de pedra e cabelo de gângster. ele chegou com a voz trabalhada sobre a qual conversamos um dia antes e marcou o gol enquanto o Henrique segurava com força o público que tentava invadir a cena. Tivemos especial problema em fazer aparecer a arma em sua cintura mas finalmente a Gabi encontrou o “ponto de equilíbrio”. vale destacar também a participação do Kid como leitor de banco de praça. sua presença em tela praticamente ofuscou Marco Soriano Jr. - exatamente como o Édnei já havia me adiantado: “o Kid vai roubar o papel do Marco”. só não aconteceu por causa da disparidade de idade...

neste meio tempo foi o almoço. Enquanto o Édnei buscava os elementos da equipe para a pizza, a Bruna, produtora, organizava toda a parada no platô. estávamos atrasados em umas duas horas no cronograma!

o orelhão foi uma incursão de pedaço da equipe, só o necessário. na cena, Raul (Soriano) liga insistentemente para seus cumparsas afim de levantar a grana. aqui, há de se falar no método do marco para a interpretação. temos preparado a personagem há semanas e incorporamos muitas nuances a ele. algumas, inclusive, conflituosas. o marco uma vez no papel aproveita muito bem alguma destas “peças” ou “itens” de ensaio e de outras simplesmente se desfaz para sempre. ao mesmo tempo cria algumas expressões e característica que vão se incorporando na personagem, como uma bola de neve. quando elas surgem, me resumo a dizer “isto é bom, mantém” ou, “menos, menos”... acabou que eu imaginava a cena frenética, mas ela ficará mais frenética ainda. é um prelúdio das desgraceiras que se seguem e realmente ditar o tom certo é um desafio. acho que esta cena em especial deixou a cintia e o marcelo com a pulga atrás da orelha. espero na edição esmagar esta pulga com a salada que pretendo fazer. caso contrário a pulga vai me causar uma coceira desgraçada. mas foi uma cena difícil: muita repetição, muito ruído e muitos PC´s (público curioso).

finalmente o momento que mais divertiu a equipe: ver o Eduardo Ribeiro (o “Tosco”) tentando alcançar o Raul e de quebra, a grana. na cena, mais uma personagem importantíssima: uma pedra cenográfica criada pela Cris e pelo Cainã. o Eduardo se saiu muito bem na sua missão que era ser um cara que faria o Soriano mandar sebo nas canelas. ameaçador, louco, bruto, tosco. e a pedra não o atingia! Resultado de muito vento e a má pontaria do Soriano! Fizemos alguns bons takes e colocamos o nosso “Lucky Man” a trabalhar, o artista do gore, Ghiorzi. trouxe de casa cicatrizes manufaturadas para o Tosco e lhe causou mais o dano da pedrada. demais. tudo devidamente registrado pela Fernanda para dar continuidade a cena quando o Tosco invadir o banheiro! Muita correria e um diretor de fotografia com ritmo de velocista: Márcio Cardoso, operando a câmera é o “steady man”, ou quando a câmera sobe em sua mão, o Homem Grua!

agora é esperar semana que vem, quando um dos momentos mais aguardados se concretiza: França/Marcião. e morrer de curiosidade acerca dos stills feitos pela Julia, que mostrarão coisas que não tive oportunidade de presenciar!

15/01/2008

1ª Diária: Versão do Produtor - Começa o espetáculo.

Texto originalmente publicado em 13/11/2007, no blog www.sem666palavras.blogspot.com

E chegou o domingo. Após uma noite inteira de chuva, bebidas e preces, amanhece na capital gaúcha com um inacreditável céu aberto. As pessoas me ligavam às 06:40h da manhã para perguntarem se estavam sonhando ou se o tempo realmente tinha melhorado. E tinha. Há de se fazer um parênteses aqui: embora seja regra de ouro deste blog não citar nomes, sou inclinado, neste tópico e talvez em alguns próximos, a burlar essa regra para enumerar os acontecimentos fantásticos que aconteceram e, principalmente, os que estão por vir. Desculpem, mas às vezes eu sou volúvel.

1º dia de filmagens de Os Batedores. A brisa outonal nos chicoteava enquanto abancávamos o equipamento de filmagem na kombi, às 7 da matina. Eu estava especialmente pregado, pois tinha passado a noite toda no aniversário do Cabaret do Beco (lugar que já citei em outro post) e saído de lá às 05:40h. Mas quando o assunto é cinema, algo toma conta de mim e eu viro o coelho da Duracell.

Redenção. Oito e trinta. Quase toda a equipe já estava lá, inclusive meu pai, que veio de Guaíba só pra dar um toque especial e abrir com chave de ouro o nosso curta, na primeira cena. A correria começou lá pelas 9 e tantas, pouco depois da Cláudia, produtora, negociar uma autorização com a administração do parque em troca de um capacete de R$200,00 (?), que a Arquivo Morto, em tese, teria de pagar alguns dias depois. Com certeza algum afegão vai esperar um bocado pra proteger a cuca por lá.

Platô montado, sol batendo na testa, e o grito de “Valendo!” do Filipe Ferreira. No banco de praça, a cena era Raul, o batedor de carteiras mais safo da parada, afastando um leitor enxerido (meu pai) com um olhar torto. Um crossover dos mais improváveis estava acontecendo ali: Marco Soriano Jr., o ator-ícone da Arquivo Morto, e Euclides Rodrigues, o lendário Kid, pai deste que vos escreve, trocando felpas num banco de praça. Obviamente que isso era um sinal de que a coisa ia ser pra lá de especial. Não tenham a menor dúvida, foi. A equipe se puxava fazendo contenção (o Henrique era tão educado na contenção, que fazia os transeuntes agradecerem por terem de desviar de seu caminho), enquanto éramos protegidos por um brigadiano de bicicleta chamado “Bono”. Não demorou muito para que o pessoal da Parada Gay (sim, era dia de Parada Gay) começasse a fazer zoeira do outro lado do parque e comprometer o áudio com caixas de som potentes e Village People. Guerreiro, König se virava como podia para puxar um bom som no seu boom, enquanto meu pai já saía de cena e cedia seu espaço em tela para Cláudio Benevenga, envergando elegantemente um terno risca de giz na pele de Arauto, o capanga robótico do vilão do curta. Enquanto isso tudo acontecia, Julia fazia os registros com sua máquina frenética (saldo de quase 400 stills).

Enquanto Raul passava apuros sendo extorquido, nossas produtoras se puxavam para sanar pequenos problemas e um problemão: a alimentação da turma. Numa solução ousada e dispendiosa, mas inteligente, a Bruna começou a assar pizzas no platô e programar um almoço por turnos para os guerreiros, que vinham paleteando coisas, arrumando figurino, objetos, contendo pessoas indesejáveis e trabalhando duro desde cedinho. No set, o bicho pegava afu e o sol castigava a pino. Eu, que estava no rebatedor, ouvia a pele dos atores fritando enquanto minha testa estava tão quente que poderia fazer um omelete nela. A Lisi retocava o Make-Up e Cíntia e Marcelo, os assistentes de direção, elocubravam soluções para algumas tomadas junto ao Diretor, que pacientemente me emprestava o celular para sanar algum pepino novo.

Próxima parada: Centro da cidade.

Com atraso de uma hora e meia no cronograma, chegamos na Travessa Leonardo Truda para a cena de perseguição. Eduardo Ribeiro (que eu ainda não conhecia) trocava risadas com Ricardo Ghiorzi enquanto nos aguardava. O primeiro para o papel de Tosco, o pior pesadelo de qualquer um; o outro, o responsável por nossos FX, que se deslocou de Canoas só para fabricar uma cicatriz na cara do grandalhão.


Novamente montamos platô e preparamos o Eduardo enquanto a elite do curta saiu para filmar a cena do orelhão. Não posso contar muitos detalhes sobre isso, pois não sou da elite (beiço). Mais uma vez, o pessoal do figurino se puxou na confecção do personagem. Não sei onde diabos arrumaram aquela camiseta, mas foi como se o Edu tivesse nascido com ela, de tão boa que ficou. Há de se enumerar aqui sobre a eficiência do Duca (figurinista) na idealização dos costumers, e da Juliana (Produtora de Figurino) na disponibilidade das roupas. Sintonia é o que há ali.

Chega a cena da perseguição, que foi tão complicada quanto divertida. Nela, Raul foge de Tosco pelas ruas do Centro. Eu estava com medo que o Soriano corresse demais e a coisa ficasse meio inverossímil, pois o Edu é grande. Grande do tipo MUITO grande. Ledo engano. Quando tu vê um cara de 2 metros de altura e 140 kg com aquela velocidade, tu começa a suspeitar de que tem algo errado na Matrix. Raul olhava pra trás e via o Tosco bufando no seu cangote, pau a pau. Soriano suava. Eduardo não. Atrás da câmera, Márcio Cardoso fazia mágica enquanto corria e filmava ao mesmo tempo, sempre com um sorriso no rosto, mantendo uma estabilidade sobre-humana (o que lhe rendeu o apelido de “Steady-Man”). Aqui, valeu a paciência da turma em atravessar ruas e, novamente, fazer contenção enquanto o Tosco, escorado em um poste, assustava um pai e seu filho que passavam desavisados pelo set. Os coitados atravessaram a rua, temerosos por suas vidas só de olhar para ele.

Nos poucos minutos de folgas que tínhamos entre um take e outro, o Edu fazia a alegria da galera com suas histórias escabrosas e sua coreografia “Sandy e Júnior”. Embora a Gabi estivesse registrando alguns momentos com uma filmadora, ela não conseguiu pegar essa pérola. Ao seu lado, Fernanda tirava fotos para o continuísmo. Momento ímpar: Eduardo me contando uma história sobre sua descendência canina. Quando tiveres oportunidade, pede pra ele te contar sobre isso...

Um episódio a parte foi o da já famosa pedra. Cris e Cainã produziram uma pedra cenográfica perfeita para a cena, mas ela era de isopor e ventava muito no set. Num determinado momento, vemos o Marcelo correndo feito louco atrás da pedrinha, que fazia sozinha uma curva a lá Fórmula 1 e seguia animada pela Av. Mauá. Destaca-se também a péssima pontaria do Soriano, que tinha a missão simples e divertida de jogar a tal pedra na cabeça do Edu. Uma. Duas. Três tentativas. Nada. Começamos a cogitar em trocar o Soriano por um dublê de arremesso, pois era óbvio que o ator tinha tido uma infância frustrada, na qual ninguém o escolhia para parceiro de taco. Não precisou. A pedra pipocou e a cena ficou nada menos que perfeita.

A função foi até às 7 da noite. Reunimos os remanescentes na Cidade Baixa para bebemorar (vide foto) e comentar sobre as atrocidades que cometemos no decorrer do dia. Nos fodemos afu: acordamos cedo, queimamos no sol, aturamos toda sorte de contratempos técnicos, corremos de um lado para o outro como baratas tontas, viramos quase 11 horas de função...olha...não sei dos outros, claro, mas pra mim foi simplesmente tudo espetacular. O tipo de trip que alucina, motiva, nos enriquece, mesmo que ninguém esteja ganhando um tostão furado. Filmar é a melhor função do mundo, minha gente. E com essa equipe então...

No próximo domingo tem mais...

29/12/2007

Batedores na ZH


Saiu na ZH deste sábado, no segundo caderno, contracapa, uma nota sobre o curta, com direito a Marcião de tamanco na mão!

Confira aqui!

20/11/2007

Promo 11/11 - 18/11 - OS BATEDORES


Segue Promo com apresentação de alguns personagens do curta Os Batedores, em fase de produção. Nele, os personagens Raul (Marco Soriano Jr.), Arauto (Cláudio Benevenga), Ligeiro (Jéferson Rachewsky), Marcião (João França) e Tosco (Eduardo Ribeiro) dão o ar de suas graças.

Em breve, mais detalhes de produção. Fique ligado.

13/11/2007

Dada a Largada!


Neste último domingo, 11 de novembro, começaram as gravações do curta "Os Batedores". Os atores Marco Soriano Jr., Cláudio Benevenga e Eduardo Ribeiro participaram das cenas captadas. No próximo final de semana será a vez de João França e Jeferson Rachewsky se juntarem a trupe! Confira alguns STILLS da produção!

19/10/2007

Mostra de Cinema Fantástico de São Paulo

Agora é oficial: a Arquivo encaçapou duas bolas de uma só vez: os curtas João Ninguém (2004) e BBZ (2007) foram selecionados para o Festival de Cinema Fantástico de Ilha Comprida São Paulo. O site do festival é: http://www.mostracurtafantastico.com.br/ . Em breve maiores informações sobre o festival.

03/10/2007

Update das Produções

O curta-metragem OS BATEDORES, atualmente em fase de pré-produção, começa a ser gravado no final do mês de outubro. A primeira produção da ARQUIVO MORTO no formato de alta definição já tem diversos nomes confirmados em seu elenco: Cláudio Benevenga, Jackson Gerchmann, Marco Soriano Jr. e Jéferson Rachewsky. Em breve será divulgada a ficha técnica completa.